domingo, 15 de abril de 2018

Não é o que parece

Alguns acontecimentos na vida ultimamente me fizeram refletir muito.

Vamos voltar mais para o dia 12 de Fevereiro,  parece que foi ontem, mas na verdade já foi dois meses. Nesse dia eu estava a caminho do College carregando duas bolsas. Uma era a minha bolsa normal, a segunda continha uma camera profissional, a lente que é tão cara quanto a camera e uma camera filmadora.
Eu uma pessoa naturalmente distraída estava conversando com alguém no telefone. Assim que meu ônibus parou na estação, eu peguei a minha bolsa e sai do ônibus.
Reparou em um detalhe? Eu disse bolsa. Foi eu dar literalmente alguns passos que eu percebi que eu esqueci a bolsa com as cameras. Não foi nem dois minutos que eu voltei a olhar para onde o ônibus tinha parado e ele já não estava lá. 

Em 20 minutos que eu tinha saído do ônibus eu já tinha falado com todo mundo que eu poderia falar e ouvi da empresa responsável pelo transporte públicos de Dallas que eles haviam conversado com todos os motoristas daquela rota e nenhum motorista viu a bolsa. Resumindo, eu tive uma péssima semana, eu só sabia chorar. 

Além das cameras outras coisas pequenas aconteceram e que me deixaram totalmente desanimada. A única coisa que eu consegui me animar foi para o show da Demi Lovato que fui naquela semana. Eu não ia, mas decidir ir uma semana antes do show porque eu merecia. Nunca poderia pensar que aquele dia me ensinaria tanto.

Antes do show, Demi trouxe a CAST on Tour, um grupo criado por ela e parceiros para criar consciência sobre saúde mental. Em cada show eles trouxeram alguém com uma história bonita para compartilhar com as pessoas e contar como eles superaram suas dificuldades. Na CAST on Tour de Dallas eles trouxeram um ex lutador UFC que foi atropelado por um trem. Hoje, quase dois anos depois vive cada dia com sua maior vitória, ter sobrevivido. Ele tem uma história muito bonita e eu fiquei muito emocionada.

Após o show eu decidi ir para casa de trem/ônibus e já era tarde. Encontrei no ônibus uma moça chamada Stella. Eu a conheci mais ou menos um ano atrás. Stella passa quase todo dia, se não todo dia carregando em média seis sacolas com vários snacks para vender. Salgadinhos, doces, bolachas, refrigerante, leite, água,  entre mil e outras coisas. Cada saco pesa entre cinco a seis quilos, eu sei disso porque foi assim que conheci. Quis ajudá-la a sair do trem e carregar até o ônibus que ela pegou. Eu fiquei impressionada pelo peso e pela quantidade de sacolas. Eu não imaginava a primeiro momento que tudo aquilo era para vender e que todo dia ela carrega esse peso todo o dia todo por toda região de Dallas.

Eu vou ser sincera, eu não tenho ideia de quantas vezes eu já encontrei Stella por ai... foi pelo menos umas cinco vezes. Bem provável que muito mais vezes, e toda vez que a vejo eu converso com ela. Ela faz isso já a muito tempo e sempre simpática e com um sorriso no rosto. Stella compra os produtos em mercado em dias de promoção e leva-os para vender durante o dia. Eu perguntei Stella se vale a pena levar todas essas sacolas, mas ela não se importa.

No dia do show que encontrei Stella, já era quase meia noite, e lá estava ela, sorrindo com suas seis sacolas lotadas e pesadas. Tudo bem que meu problema das cameras naquela época eram sim importantes e que cada pessoa tem seus problemas e suas maneiras de lidarem, mas naquele dia depois de ouvir uma história de alguém que ganhou uma segunda chance e ver Stella ali depois de passar o dia trabalhando carregando peso e ganhando o seu pouco dinheiro por dia me fez refletir muito.

De novo, não gosto de comparar problemas, sempre vai ter pessoas em uma pior situação que a nossa, sempre. Eu aprendi que a melhor maneira de lidar com os sentimentos e deixar você sentir, não se culpe, não se envergonhe, não se compare com outras pessoas. Está com raiva porque foi ignorada? Está triste porque não conseguiu algo que esperava? Está chateada porque perdeu algo valioso? Fique com raiva, chore, e deixa os sentimentos fluirem. Você só saberá superar se você sentir, entender o porque e o que está sentindo e assim, se libertar dele.

Mas naquele dia 7 de Março eu olhei para os meus problemas com um olhar diferente. Eu podia estar revoltada, triste, decepcionada, mas não importa o que acontecer, eu iria superar. Eu iria conseguir acordar no dia seguinte assim como Stella, sorrir e viver minha vida. Eu iria continuar lutando e vencendo um dia por vez assim como o ex lutador de UFC.

Como diz Ana Vilela, "que a vida é trem bala parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir."




  

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