terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Aviso: Esse é um post longo

Primeiro de tudo eu vou avisar de novo, esse post vai ser longo. Segundo esse foi o texto que escrevi após ler o livro "O Propósito" que mencionei no post anterior. Tem muita coisa pessoal aqui e muita coisa que talvez nunca tenha compartilhado com ninguém.

Boa sorte
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Existe muitos pontos importantes nesse livro que abriu minha mente e que esclareceu algumas coisas. Como já disse que sou muito ignorante em relação a tudo isso. Minha experiência espiritual é muito crua e meu conhecimento muito vago.

Eu comecei cedo a questionar muitas coisas na minha vida, e por não conhecer esse pensamento/ensinamento, eu nunca tive respostas. Eu convivi com muitas maldades e muita injustiça. Durante minha época de escola eu criei barreiras de proteção para sobreviver a tudo. Eu nunca acreditei ou segui o padrão que a sociedade acredita. Eu quando era pequena sonhava em ser rica e ficava imaginando em maneiras de acabar com a pobreza no Brasil. Imaginava sendo muito rica e construindo casas enormes com muitos quartos para as famílias que viviam na rua.

Aí eu mudei para um novo colégio. Eu era uma pessoa que eu posso considerar “pura”. EU mudei para um colégio onde eu não me encaixava e as pessoas que eu conheci não viviam a mesma vida que a minha. É surreal a diferença entre meus costumes e o dia-dia dessas pessoas. Eu que sempre fui uma pessoa comunicativa, animada e cheia de amigos, desde crianças a senhoras (es) de idade, me vi em uma bolha e sozinha. Me vi no primeiro ano sendo questionada porque eu era a única na classe a não ter um estojo da Kipling, minha resposta? “Porque eu sou pobre”. O que eu poderia responder? Eu não entendia porque eu precisava de um estojo caro, mas ali foi a primeira vez que eu tive que mudar para me encaixar. Naquele ano, de natal, eu ganhei um estojo da Kipling.

Esse foi o primeiro ano de muitos que eu tive que deixar de ser quem eu era para poder ser “aceita”.  Foram anos e anos difíceis, eu tentei de tudo para me sentir parte daquele grupo e diversas vezes eu fui rejeitada. Eu lembro que no Ensino Médio eu pensava “quando eu sair daqui e começar a faculdade, eu não vou ligar para o que pensarem de mim. Eu vou ser quem eu realmente sou”.  

Durante anos eu criei tanta máscara sobre a minha personalidade, deixei de ser quem eu era ao ponto de me sufocar. Eu cheguei ao meu limite, e tive um ataque que hoje eu chamo de “dark moments”. Eu desisti, eu desisti de tudo, de estudar, de viver, de sonhar. Eu tentei pedir ajuda, mas muitas pessoas não me entendiam e para ser sincera, só hoje eu sei o que eu realmente sentia. Eu precisava de ajuda mas não encontrava ninguém que pudesse me ajudar. Eu me recorri na época a escrita e a uma ajuda psiquiátrica, onde lá eu comecei a me abrir e contar para alguém o que eu sonhava, e ela me apoiava.

Uma coisa que eu lembro quando era pequena era que tudo o que eu contava para minha psicóloga na época, era passado para os meus pais. Naquele ano onde meus sentimentos, ou a falta deles transbordou, eu fui atrás de uma psicóloga sozinha. Não permiti que ela mantivesse contato com qualquer pessoa que me conhecesse porque eu já não conseguia confiar em ninguém, e ela era única que me ouvia e não me julgava, mesmo que esse fosse o trabalho dela.

Meu primeiro passo para a liberdade do meu verdadeiro ser foi na faculdade. Eu nunca vou esquecer, minha primeira aula o professor me perguntar: “Por que você está aqui?” E eu apenas responder “Porque eu quero estudar fora do país”. E esse era a verdade. E essa apesar de ser total a resposta errada, era a única resposta certa para mim. Eu não tinha ideia de como eu iria, ou quando, eu só sabia que eu iria.

Eu sempre aprendi que se um dia você levar um tapa na cara, você tem que devolver. Se você for ofendido, você tem que lutar de volta. Eu nunca acreditei nisso, porque eu tenho que ser igual a essa pessoa? Por que eu tenho que ter a mesma atitude que eu acho que foi desnecessária? Por que eu tenho que ser assim? Por que eu tenho que fazer faculdade e trabalhar? Por que eu tenho que escolher esse curso que me dará mais frutos e não felicidade? Por que eu não posso escolher ser o que eu gosto de fazer? Por que tem toda essa pressão sobre minhas escolhas? Por que eu? Por que?

Eu nunca entendi porque a sociedade tem que apontar o que é certo ou errado para mim. Eu nunca entendi porque eu não posso comer mais um pedaço de bolo que eu adorei? Por que eu tenho que evitar a comer carboidrato e comer salada e frango por 15 dias para emagrecer? Por que eu tenho que emagrecer para virar atraente para alguém? Eu tenho que viver de dietas loucas e deixar de comer o que eu gosto caso contrário vou morrer sozinha. E se eu não for magra não serei atraente, não conseguirei um emprego decente, não terei filhos e não terei família. Qual o sentido de tudo isso? Eu sei o que é certo e errado, eu cuido da minha saúde, mas por favor me deixe comer o que eu quero e me faz feliz.

Quando eu fiz 18 anos eu fiz uma festa. Uma festa que significou liberdade para mim. Eu finalmente pude sentir que eu poderia virar para as pessoas e falar: “Não farei isso porque eu não quero” “Não vou comer isso porque eu não gosto, não farei isso porque eu não sou obrigada”. Foi com 18 anos que lembrei de um filme que um professor passou para a sala que falava sobre fazer uma boa ação para alguém e pedir que ela repassasse essa ação. Com 18 anos eu lembrei que esse mesmo professor me disse uma das frases mais conhecidas e que até então eu nunca tinha parado para pensar ou usá-la. “Gentileza gera gentileza”. Foi com 18 anos que percebi que eu não iria poder ser memorável para alguém se eu não fizer algo digno para isso.

Eu mudei minha visão da vida, eu decidi que eu iria acreditar na honestidade e bondade. Eu não iria mais lutar de volta e evitar julgar as pessoas. Eu passei anos sendo a pessoa julgada e “maltratada”, e nunca iria querer que alguém se sentisse como eu me senti. No meu primeiro emprego foi que senti a primeira vez o que é o mundo real. Uma pessoa que eu considerava uma amiga, deu um golpe em minhas costas, literalmente “puxaram o meu tapete” e eu cai. 

O primeiro golpe a gente nunca esquece. Eu fiquei triste porque eu estava tentando confiar de novo nas pessoas, eu estava tentando acreditar que existia uma justificativa para a maldade dos outros. Foi nesse dia que eu descobri que existem pessoas que vão a igreja por apenas imagem. Eu descobri que eu não preciso ser e agir da mesma forma que as pessoas que não conhecem a bondade. Eu apenas preciso me afastar e torcer que essa pessoa encontre a paz na vida dela.

Eu sempre soube que eu não ficaria no Brasil, eu sempre disse que não me sentia em casa, e que só conheceria a felicidade quando vivesse meu maior sonho. Eu tenho isso escrito em algum lugar nesse blog. Infelizmente meus pais não entendiam isso. Eu precisei conquistar tudo sozinha, ir contra os conselhos e sugestões deles e alcançar a felicidade e o sucesso que sempre sonhei para eles acreditarem em mim.

Até então eu não fazia ideia de que tudo o que eu senti, e cresci espiritualmente existia um porque. Tudo para mim até a pouco tempo era apenas memórias, muitos delas ruins. Hoje eu sei que tudo o que aconteceu foi meu crescimento e descobrimento. Hoje eu sei que tudo foi um aprendizado e que apesar de dolorido, hoje refletem na minha felicidade. 

Porque tudo que eu passei me trouxe até aqui. Tudo o que aconteceu tinha que ter acontecido porque faz parte da vida. Eu hoje, fico feliz em saber que eu não estava errada em pensar diferente, não estava errada em viver a vida da maneira que meu coração quis.
Hoje eu sinto uma paz interna que para mim é difícil de acreditar. É dolorido lembrar e reviver um pouco do que eu passei, mas faz bem. Eu acredito que chorar nos faz limpar a alma, e esvaziar os maus sentimentos.
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Eu sei que ainda tenho muito a aprender. Eu não me sinto completa e 100% feliz com tudo, existe algumas partes da minha vida que tenho que conquistar, aprender e viver.  Eu sei que isso é só o começo de uma jornada, eu só estou feliz em poder finalmente entender e esclarecer perguntas da minha vida.

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