domingo, 13 de dezembro de 2015

Why should you care what they think of you?

Eu não acredito até que vou contar essa história, e a pior parte é que eu sou parte dela.
Parece até brincadeira pensar que vou ter que tocar nesse assunto de novo, meu último texto foi sobre isso.

Era uma sexta feira normal para mim, até que uma colega de trabalho chegou no fim do meu almoço, me chamou e com várias outras pessoas por perto ela disse:

"Ai você não sabe o que o João (vamos chama-lo assim o meu chefe) disse! Eu estava contando para ele que iria marcar minha cirurgia para fazer a redução de estômago e ele super me apoiou, disse que eu sou muito bonita e vou ficar mais ainda. Ai ele disse, 'A Ronnie também, aproveita e leva ela porque ela está precisando' ".

Eu parei, respirei fundo.

Minha primeira resposta foi:

Pode falar para ele que da minha vida, meu corpo, cuido eu. Da próxima, quando vocês ouvir essas bostas (desculpe a palavra pessoal), por favor, não me conte, prefiro nem ficar sabendo.

É obvio que eu tive que voltar do almoço, trabalhar, segurar o choro até onde eu pude. E quando não dava mais, eu simplesmente levantei chorando e corri para o banheiro porque nenhuma mulher é obrigada a ouvir uma coisa dessa e não ter o direito de chorar.

Nessas horas não importa se a pessoa é magra, acima do peso "ideal", bonita ou feia, nem por brincadeira você pode falar uma coisa dessas. Isso destrói internamente qualquer sorriso, conforto ou alto estima.

Eu nunca tive uma alto estima alta, e não que seja da conta do meu chefe, mas a quatro meses quando eu entrei na empresa, quando ele me entrevistou eu pesava treze quilos a mais, a quatro meses que estou indo em uma nutricionista, me alimentando melhor e me exercitando mais. Não que seja da conta de qualquer pessoa, eu estou seguindo esse caminho por saúde, mesmo com mil doces, refrigerantes, sanduíches e etc a vontade no trabalho. Consegui sem cirurgia (não tenho nada contra com quem faz, cada caso é um caso, o meu não era necessário) e isso é mais que prova que eu vou alcançar meu objetivo da maneira que eu quiser.

Acho que a pior parte não foi o comentário, eu não sou cega, nem burra, eu sei qual meu peso, meu tamanho e já estou cuidando disso, quem decide sou eu. Eu não consegui acreditar que aquele "puta chefe amigo" fala essas merdas (mais uma vez desculpa, mas não há outra palavra) nas minhas costas, nem por brincadeira e nem nas melhores intenções, isso não se fala, eu não dei nenhuma intimidade para falar isso. Nunca falei um "A" da maneira que ele se veste, fala ou anda, cada um tem seu gosto, jeito e estilo.

E se eu gostasse de ser gorda?

Eu naquele dia eu queria chegar no meu chefe mor e pedir para mudar de time, já que no meu caso é possível. Aquilo foi o ponto final, mas eu não fiz, porque eu acredito que isso é muito sério e que esse caso poderia levar a um nível que eu espero que tivesse consequências graves, pode ser que no final eu continuasse no mesmo time, mesmo chefe e talvez um novo inimigo. E isso eu não quero para mim.

Tive a brilhante ideia de compartilhar isso com a minha mãe, imaginando é claro que ela ficaria ao meu lado, mas isso foi exatamente o que eu ouvi:

Mãe: "Está Vendo? Você acha que ele é único que fala isso?"

Sério? É isso mesmo que eu estou ouvindo? E ela continuou:

"Infelizmente é assim que a sociedade pensa"

Eu: "Mãe, ele não tem o direito de falar isso mãe, isso é errado. Ele não tem que ter opinião nenhuma, a vida é minha, e se eu quisesse ser gorda, o que ele tem a ver com isso?"

Mãe: " Ninguém quer ser gordo"

Ela está errada em tantas maneiras, e eu odeio isso, ela é mais uma entre milhões nessa sociedade estúpida que ainda não aprendeu a respeitar as diferenças dos outros.

Fiz esse texto porque ainda não me conformo, porque ainda tenho vontade de chorar porque eu não deveria ouvir isso, porque até uma pessoa que eu achava que era um "parceiro" é um falso preconceituoso, e que 99% da sociedade é assim e não vai mudar.



Fica para concluir essa música:





Why should you care what they think of you?
When you're all alone
By yourself, do you like you?
Do you like you?

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