domingo, 29 de julho de 2012

Afinal, quem sou eu?

A muito tempo venho pensando em um post sobre o que irei falar agora, na verdade muito tempo não, sei lá, talvez mais de uma semana. Mas acredite, quando se trata sobre inspiração, eu demorei muito para escrever, confesso até que até esqueci em parte meu principal foco e o que me inspirou ara fazer esse post, porque durante essa "Uma semana" muita coisa aconteceu que se encaixou perfeitamente com esse tema.

Vamos voltar alguns dias, era fim de junho, e eu havia meses em que não lia um livro, meses em que eu ficava obcecada e perdida em um mudo fora do real, e por desespero eu vasculhei o armário aqui de casa e encontrei um especial que eu já havia começado a ler dois anos atrás mais por alguma razão que hoje eu não consigo entender, não me interessei e parei nas primeiras páginas, enfim lá estava eu todas as manhãs a caminho do trabalho, esperando na fila ou no ônibus lendo "A Menina que roubava livros" de Markus Zusak, olha se um dia tiver a chance de escolher alguém para conhecer, ele estaria com certeza na minha lista.

Bom, como nem tudo são flores, minha felicidade extrema citada outro dia não dura sempre, eu desconfio daqueles que dizem ser felizes 100% da vida, porque isso não existe, e bom, comigo é fácil de me afetar, afinal sou uma menina bipolar, temos que confessar.
Voltando... se não me engano, foi dia 16 ou 17 em que perdi mais uma pessoa que foi muito importante na minha vida, como de costume não irei dizer nomes porque isso não é sobre quem era ela e sim sobre o que ela significou para mim. Vamos dizer que ela não era uma pessoa que eu via sempre, infelizmente eu a via apenas em situações especiais, ano passado eu até que convivi constantemente com ela, mas essas poucas vezes eu imensamente no meu coração desejo que tivessem sidos por mais vezes, mais tempo.
Percebi que pelo menos para mim, quando a vida tira alguém que significou algo na minha vida eu choro não apenas pelo fato de que eu nunca mais irei ver a pessoa, mas pelo arrependimento de não ter tido mais chances ao lado dele(a), e simplesmente pela falta que sentirei dele(a).

Saudade:
s.f.

  1. 1. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado.
  2. 2. Pesar, mágoa que essa privação causa.
  3. 3. Planta dipsacácea.
  4. 4. Nome de várias espécies de plantas com flores de cores variadas.

s.f. pl.

  1. 1. Boas lembranças ou recordações.
  2. 2. Cumprimentos a alguém.

 Dói, eu sei que sim, o que eu mais odeio que me acontece é perder alguém em que eu me importe, goste ou ame. Esse novo anjo que terei no céu era considerada parte da minha família, alguém que em pouco me ensinou muito e fez muito por mim, alguém que serei eternamente grata e terei em minha memória a grandiosidade que ela era e a força que teve para lutar durante anos o maldito câncer. 

Eu não pude me despedir dela, quando descobri que ela havia partido já passara mais de uma semana, mas para mim ela havia ido embora naquele dia, porque até então ela estava viva dentro de mim, não que ela não esteja agora, principalmente agora ela está viva em minhas lembranças.

Não aprendi a lidar com perdas mesmo depois desses anos, reparei que fazem três anos que perdi gente muito importantes na minha vidas, uns ainda eu tento manter contato, outros não teve jeito, acho que só não era para ser. Mais uma vez eu tenho que entender que não podemos esperar de alguém o mesmo que eles podem esperar de você, nunca.

Mas acredito que vou aprender, na marra obviamente, mas vou. No meu trabalho em menos de dois meses duas pessoas que eu realmente gostava saíram de lá, uma não ficou nem dois meses. Quando perguntei a outras pessoas que trabalhavam comigo se elas ficaram tristes elas simplesmente disseram que não. No começo eu achei rude, como não ficar triste? Essas pessoas vão sair e não veremos mais! Até que compreendi a explicação. 

"Estou acostumada, aprendi a não me apegar nas pessoas, porque aqui as pessoas não ficam aqui por muito tempo, essa é a realidade"
Não demorou muito para eu ver que o que me disseram é realidade, em outra área eu vi pessoas entrando e saindo como se fosse um hotel, onde você para por alguns dias, ou meses (para quem pode), aprende e conhece esse novo lugar, e depois simplesmente vai embora. 
Eu também não tinha direito de ficar triste, estava sendo egoísta, porque nesse caso quem sai de lá, sai para um lugar onde terá novas chances e melhores, que sou eu para pedir a elas para ficar?

Eu não posso negar que chorei e ainda choro de vez em quando assim como faço quando lembro daquele meu amigo que pelo mesmo motivo nos deixou aqui nesse mundo assustador, assim como fiz e faço por aqueles que eu perdi, mas ainda estão no mundo em algum lugar. Por mais que eu gostaria de perder a fome, desistir e só chorar, eu não posso ficar desse jeito, pelo menos aqueles que se foram não gostariam de me ver assim, se a família daqueles que foram embora eternamente estão apesar de tudo "sobrevivendo" quem sou eu para não fazer o mesmo, segundo a irmã do novo anjo. "Ela está melhor que nós, aqui ela sofria, a gente sofria".

Obviamente, não é fácil de lidar com tudo isso, mas assim como no filme mais louco que eu já vi na minha vida Extremamente Alto, e Incrivelmente Perto, o garoto perde o pai, passa o filme em busca de uma resposta que no final descobre que a resposta que tanto esperava não era para ele, pertencia a outra pessoa. Percebeu como é insano esse filme? Apesar desse filme ser fora do normal, eu chorei muito porque ele também trata-se de perda, eu senti em mim a dor e os gritos que Oskar Schell dava para tentar talvez livrar-se da falta e da culpa de não ter mais seu pai ao lado. 

Agora estamos em pleno fim do mês de julho, meus pais estão nos Estados Unidos gastando tudo que temos e não temos (brincadeira para tirar o clima tenso), e trazendo meus sete livros que encomendei desde maio e ai... longa história.

Resumindo, eu poderia ter acabado A menina que roubava livros, na primeira semana, e se quisesse nos primeiros livros, eu não dormiria, mas conseguiria. Todavia algo me impedia, me apaixonei pela segunda (lembra que já havia começado a ler) vista, e com todas as forças internas não queria que esse livro acabasse, só que teve um dia que o desespero bateu quando as páginas estavam acabando.
Nos últimos dias, evitei ao máximo para não ler, para que o livro não acabasse, terminei lendo na minha mesa do escritório na hora do almoço aos prantos. 
O Livro é maravilhoso, uma ficção com fatos reais, uma história contando outra história. O holocausto é um tema que ainda me atrai, outra tragédia que eu sou apaixonada e louca para ler, com certeza esse foi um dos melhores livros que já li, te aconselho a lê-lo, você não irá se arrepender.

Eu costumo levar filmes e livros para o lado pessoal, como se fosse eu no lugar do personagem. E foi ali no final do filme (voltando para o Oskar) em que ele percebeu que todos nós perdemos alguém, ou iremos perder, isso faz parte da vida, e todos nós apendemos a sobreviver. É algo em que todos desejamos que isso não tivesse acontecido, mas é natural, faz parte da realidade, e quem é capaz de mudar o sentido da vida? Só me resta agora a entrar na cabeça e seguir em frente com esse nova lição.





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