sábado, 17 de julho de 2010

Voo 120

05/07/10 - 06/07/10 A Grande ida

Prestes a entrar no avião confesso que estava meio ansiosa... Realmente não sabia como era, a única coisa que já tinha ouvido falar era que a comida de lá era horrível, as únicas aeromoças que conhecia eram as dos filmes (que não eram nenhum pouco agradáveis) minha esperança era que eu estava errada.
Nossos bancos eram os ÚLTIMOS! Sem exagero dessa vez, tudo porque meu pai queria perto do banheiro, (tudo bem, mas não TÃO PERTO!), enfim éramos da última fileira do meio onde cabia minha mãe, meu pai e eu, poderíamos levantar sem atrapalhar ninguém.

Eu prometi a mim mesma não dar uma de turista e fazer escândalo, mas foi só aparecer uma aeromoça com aqueles uniformes típicos de filme que eu FIZ um escândalo, essa até que passou abatido, pior foi quando eu vi aqueles aparelhos em que as pessoas revistam você que é quase um "detector" de ferro ou algo do tipo, adivinhem? Apitou em mim, haha para mim não foi um susto e sim uma diversão, haha tive que me sentar e tirar meu sapato onde havia apitado para ser revistado! Legal né? - ha. Eu sei que não é, mas para mim foi :D

Até ai estava mais elétrica do que nada, porém comecei a me dar um medinho, e mal havia sentado e já coloquei o cinto bem apertado. Foram quase uma hora para descobrir como era "voar", até finalmente o comandante nos comunicar que havia um pequeno "tráfico" de aviões e iríamos atrasar alguns minutos. TRANSITO ATÉ DE AVIÃO! Sorte minha que eu não ligo para transito, mas naquela noite eu liguei.

Finalmente o avião começou a dar seus primeiros movimentos, meu pai me perguntou como eu me sentia a andar de avião (como eu poderia responder a essa pergunta se o avião ainda não tinha saído do CHÃO?!), com essa pergunta eu imaginei que aqueles pequenos e leves movimentos seriam a viagem inteira, mesmo assim um sentimento bem forte me fez apertar mais meu cinto, comentei com a minha mãe que estava com medo, medo não eu estava apavorada, minha confiança no capitão havia sumido. " E se o avião não conseguir subir?" " E se o avião no meio da viagem perdesse o controle e caísse?"

Minhas dúvidas veio com as imagens de um conhecido programa chamado "Desastres aéreos" e de lembrar quando minha mãe falou " No avião há uma tela de televisão, onde vai ter o mapa e o caminho que o avião está fazendo, eu imaginava quando estávamos em cima da Amazônia, o avião caindo e nos caindo bem na água, ou já pensou se o avião caísse bem no meio do Oceano? iríamos cair no meio do nada!" - fala sério quem tem uma mãe dessa quem precisa de inimigo?

Agarrei minha mãe e o avião subiu, depois de uns frios na barriga e umas lágrimas caindo o avião se sustentou no ar, SOBREVIVI! UFAA. Acho que nunca me vi tão quieta na minha vida, você já parou para imaginar eu, Ronnie quieta por um minuto? não nem eu! pois é, essa foi minha situação por 10 horas sem abrir a boca a não ser para respirar.

A aeromoça nos contou que iríamos assistir a três filmes:
* Night Date - não conhecia e não sei o nome em Português, não vai fazer muita diferença, assisti o começo e já me deu sono, só não dormi porque estava morrendo de medo, não poderia estar dormindo enquanto aquele avião não pousasse, havia uma mulher que dormiu a viagem inteira! desde que chegou no avião até o pousarmos como ela consegue????.
* VALENTINE'S DAY! - Idas e Vindas do Amor, pois é, estavam de brincadeira comigo, já não me traumatizei demais vendo três vezes esse filme??
* Dear John - Querido John, aaah finalmente algo decente nesse avião, a pergunta era, estaria eu viva até lá??? sem brincadeira poderia ter um ataque do coração naquele avião!

As TURBULÊNCIAS!

Aaah minhas "adorada" Turbulências! PORQUÊ VOCÊS EXISTEM ME DIZ?

QUERIDA AMAZÔNIA, eu te defendo tanto, e o que ganho em troca? muitas tempestades! Obrigada! da próxima não preciso de recompensas.

Foi no meio da viagem, já estava começando a me tranquilizar, não sentia quase nada, mesmo minha mente não me deixando esquecer que a qualquer momento o avião poderia cair, qualquer "chacoalhãozinho" que o avião dava meu coração ficava a mil. Por um momento eu olhava para meus pais com cara de apavorada e .... nada eles estavam dormindo, mais uma vez COMO ELES CONSEGUEM? não demorou até eles acordarem. Uma sucessão de turbulências fez o avião começar a chacoalhar mais do que quando eu ando de Ônibus, nesse momento eu já estava quase pirando, comecei a rezar, e só parei depois de uns dez minutos em que o avião sussegou. A maioria dos passageiros voltaram a fechar os olhos, o pequeno susto havia acabado por pouco tempo, eu continuei agarrada ao banco, desesperada. BAM! o avião começa a cair horizontalmente, para minha felicidade tinha esperança do capitão voltar a subir. Bom, o susto claro fez todos acordarem, e GRAÇAS A DEUS o avião voltou a subir. A partir daí se eu estava quase dormindo, eu não dormi nem mais um segundo, minha mãe que estava tentando me acalmar, estava com tanto medo quanto eu. Viu minhas lágrimas de pavor não eram a toa.
" Pronto se eu não morrer em algum acidente aéreo, eu morro do coração!" - para mim isso era uma verdade

Não demorou muito tempo para o avião voltar a chacoalhar de novo, eu tentei assistir o filme com o som bem alto, mas dessa vez nem o fone me acalmou. Meu pai disse que a parte mais fácil e calma era a aterrizagem, mas depois que eu passei eu já não acreditava mais em nada.



O lado bom de tudo era que a comida não era tão ruim como dizem, não é das melhores, mas é comestível. Minhas orações funcionaram porque estou aqui, cheguei inteira lá, pelo menos eu acho. Minha maior felicidade não era ter chegado finalmente a um país estrangeiro, e pelo o que eu iria passar durante esses sete dias e sim de ter chegado viva.
Na teoria eu entendo que turbulência é normal, e que muito provavelmente nada demais acontece, mas fala isso para minha consciência bem nessas horas... não adianta muito!

Assistir diariamente desastres aéreos e filmes sobre 11 de setembro, não complementou nada na minha inteligência, como meu pai sempre diz para eu assistir os programas "educativos" dele, só me deu medo. Minha mãe falou para eu não comentar com nínguem sobre esse meu medo, ela diz ser "vergonhoso", dai eu parei para pensar: " é a verdade não é?, não sou a única, e aliás, já passei tantas vergonhas e micos na minha vida que esse detalhe é fichinha" (vocês são prova disso!)


Meu maior problema que eu poderia ter com esse medo era voltar para casa, afinal, não tem como voltar de carro, muito menos nadando.

Bom, agora pelo menos toda essa história virou uma piadapara meu pai..
" A Ronnie nunca rezou tanto na vida dela, rezou mais que o retiro da Ireja" AHAHAHA PAI

Próximo capítulo: Primeiro dia na BIG APPLE =D

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