domingo, 15 de abril de 2018

Tic toc

O tempo voa não é mesmo?

Eu nem acredito que em uma semana eu vou completar 24 anos. Como é aquela frase cliché que as pessoas falam? Completar 24 primaveras. Lembra daquela carta que escrevi aos meus 15 anos para mim mesma no meu aniversário de 18? Como eu gostaria de responder para ela, contar tudo que me aconteceu só esse ano.

Os primeiros dois meses e meio do ano foram difíceis para mim. Em uma conversa com minha amiga ela me disse, "fique tranquila Ronnie, ainda estamos em 2017. O ano novo astrológico ainda não aconteceu, e o ano de 2017 foi ruim, está sendo ruim para todos, mas esse ano de 2018 começa dia 20 de Março quando o 'sol entrar em Áries."

Eu tenho um pré-conceito sobre tudo isso por pura ignorância (no bon sentido das palavras). Eu não sabia direito o que isso significava, mas se ela disse que faria minha vida ficar melhor, eu me agarrei nessa ideia. E no dia 20 de Março eu respirei fundo e celebrei emocionalmente esse dia, eu acreditei com toda sinceridade no meu coração que esse ano iria ser bom.

Desde o dia 20 de Março eu estou tendo muitas bênçãos (to com dificuldade de saber o plural da palavra benção) em minha vida. Parece mentira, mas desde então tudo melhorou. Obviamente eu não culpo a sol por estar em Áries, eu "culpo" Deus por estar sempre ao meu nado. Mas eu tenho certeza que foi ele que colocou o sol no signo certo, seja lá o que isso possa significar.

O fato é, eu percebi que apesar de eu adorar fazer planos, nada está acontecendo como eu planejei. E custou para eu entender isso, eu parei de querer fazer escolhas e planos distantes porque Deus já provou mil e uma vez que eu não decido nada.

Já era hora de uma certa coisa acontecer comigo. Eu não vou dizer que estou orgulhosa, ou que isso era um fardo, mas eu vou dizer que esse fato foi um alívio em várias maneiras.

Vamos começar pelo Sr. Karma. Aquele mesmo de sempre. No começo do ano eu decidi que por mais que eu gostasse da amizade dele eu tinha que acabar com tudo. Eu estava me enganando dizendo que ser apenas amiga me satisfazia. E essa é parte de uma promessa minha, não mentir para mim mesma. Então eu fiz algo que provavelmente nunca fiz na minha vida, ou pelo menos completei né. Eu decidi que minha quarentena iria ser nele.

Tudo na verdade começou antes com uma aposta, mas eu decidi continuar. Eu não poderia puxar assunto, começar assunto ou continuar o assunto com ele. Eu poderia responder mas não poderia prolongar a conversa. Bom, primeiros dias foram fáceis já que o queridinho lá estava sem celular. Ele mandou mensagem e eu respondi, sem puxar assunto. Eu confesso que durante a quarentena eu tive três "recaídas" e talvez tenha puxado assunto (carinha de culpada).

Porém no final de toda essa minha experiência, gerou um resultado. Eu aprendi a seguir minha vida sem ficar esperando uma mensagem. Eu acho horrível a sensação de ter que olha para o celular toda hora na espera de uma mensagem. Não acho saudável.

Outros fatores aconteceram que me ajudaram a superar tudo isso. A questão é, o sentimento era real e esse sentimento não desaparece assim do nada. Além da quarentena, eu coloquei uma data de expiração para nossa amizade. Meus amigos deveriam saber que eu não me importo tanto com meu aniversário, mas eu fico chateada se alguém que eu me importo esquece de mim. E ele é alguém que eu me importo, mas ele também é alguém que eu sei que não vai lembrar do meu aniversário, é alguém que não sabe o quanto isso é importante para mim. Sabe por que ele não sabe? Porque meus sentimentos faz eu ter uma expectativa a mais sobre ele. E isso é totalmente errado.

Então eu decidi, que se meu aniversário for como eu espero, sem nenhuma mensagem dele, eu oficialmente deleto ele da minha vida. Ok, muito dramático né? Mas estamos falando de mim não é mesmo? Rainha do drama! Enfim, o sentimento que eu sentia é como uma ferida bem funda. Só o tempo iria curar. O fato de eu ter evitado conversar com ele ou manter contato ajudou a ferida a começar a fechar. Toda vez que eu cometia o erro de ir atrás e ficar conversando eu dava aquele cutucão na ferida. Sabe aquele machucado que você sente uma dorzinha que até é gostosa? Mas no fundo tudo que você está fazendo é atrasar o processo de cura.

A quarentena foi essencial para mim. Eu falava que ele era meu karma. Que eu fingia que tinha superado mas era só eu receber um pouco mais de atenção que todos os sentimentos voltavam. E toda essa situação era desgastante. Tem certas dores que são gostosas de sentir na hora, mas depois a gente se arrepende de ter cutucado.

Eu sei que tudo isso pode estar um pouco confuso, mas eu nem cheguei no ponto que eu ia chegar. Lembra quando eu disse que eu não faço mais planos? Pois bem, eu conheci uns caras nesses primeiros meses do ano... E esses caras eu conheci online em um certo aplicativo por ai. Todos os caras foram embustes na minha vida. Porém os embustes que me trouxeram coisas boas.

Vamos ao embuste número 1.

Vamos chama-lo de princeso. O princeso apareceu em um momento que eu não estava bem. E assim como o próprio apelido diz, ele era um príncipe. Era fofo, educado, carinhoso, era preocupado comigo, era gentil, era engraçado e o mais importante de tudo, eu gostei dele. Eu gosto de descrever ele como um cometa em minha vida. Ele apareceu do nada, veio com muita força e fez os danos dele. Ruins e bons. Como eu disse anteriormente, eu gostei de verdade do princeso, e todo o sentimento veio muito rápido, assim como nosso "relacionamento".  Ele sumiu tão rápido como apareceu em minha vida, e o pior eu não sei o porque. Talvez eu até saiba, mas prefiro não acreditar.

Eu não vou mentir, até hoje eu ainda sinto uma pequena dor no coração por pensar que não deu certo. Porque pela primeira vez em sei lá quanto tempo, eu provei a mim mesma que eu estava errada. Eu encontrei alguém que é completamente diferente do  Sr. karma, e alguém que eu fiquei completamente animada e interessada. Alguém que provou para mim que existe outra pessoa nesse mundo que possa me dar a segurança que o Sr. karma era o "the one". Apesar de não ter acontecido como eu queria, o princeso trouxe essa liberdade para mim. Eu finalmente estava dando passos para frente, cada vez mais perto de me livrar desse karma.

Embuste número 2.

Ok, aqui está a parte que eu nem acredito que vou compartilhar aqui. Esse vamos chama-lo de cremoso. Por favor, não me faça explicar porque desse nome, só saiba que é uma zueira. Assim como princeso, encontrei ele no mesmo app, e a outra coincidência foi que nenhum dos dois eu estava realmente interessada. Eu dei um "like" no cremoso simplesmente porque ele era brasileiro, nenhum motivo a mais. Eu estou carente de amigos brasileiros por aqui e eu acho legal conhecer gente que está vivendo a mesma coisa que você. Eu puxei assunto com o cremoso, para ver se ele era uma pessoa legal para conversar.
Cremoso não era uma pessoa que eu me dei bem logo de cara (saudades princeso).  Cremoso está estudando em uma cidade um pouco distante da minha e vai embora em Maio para o Brasil. Cremoso me chamou para sair domingo passado (8), eu não estava afim de ir porque eu percebi que diferente de mim, ele não estava afim de ser amigos. Parei de falar com o cremoso, até que ele resurge essa quinta (12) perguntando as dez da noite se eu queria sair. Obviamente eu disse que não iria, minha alma de velha já estava pronta para ir para cama. Eu tinha milhares de desculpas para não ir, simplesmente pelo fato de eu não querer ir.

Por insistência do cremoso eu passei meu endereço para que ele pudesse passar aqui para conversar, sei lá. Antes de qualquer coisa, eu sabia a possibilidade de coisas acontecerem, e eu passei o meu endereço porque quis. As onze da noite o querido chegou. Eu sai da minha casa e ficamos na rua "conversando". Cremoso não veio de longe as onze da noite para conversar. Ele muito menos estava interessado nisso. Cremoso foi meu primeiro beijo. É até esquisito eu digitar isso, eu que sempre fui super reservada nessa questão, sempre fui cautelosa e meio que esperançosa com esse momento... fiz tudo o que sempre diz que não iria fazer.

Vamos começar pelo fato que um beijo é algo íntimo, e eu sempre dizia que já que eu demorei tanto, principalmente o primeiro beijo tinha que ser com alguém que eu tivesse intimidade. Bom, eu nem sabia o nome do cremoso até alguns momentos antes dele chegar na minha casa. Quanta intimidade não é mesmo? Eu sempre dizia que eu não ficaria com alguém por ficar. Eu sempre imaginei que meu primeiro beijo fosse com alguém que eu tivesse alguma conexão, que fosse um momento especial.

A única coisa que aconteceu como eu sempre planejei sobre esse primeiro beijo é que só estava eu e ele naquele momento, eu não queria que ninguém assistisse. Mas obviamente só estávamos nós dois porque era 11 da noite, e isso não faz nada especial. O meu primeiro beijo não foi romântico, ou com alguém que eu realmente gostasse. Ainda estou pensando se isso é bom ou ruim. Resumindo tudo, foi horrível. Eu estava extremamente tímida, nervosa. Eu não estava nervosa em beijar o cremoso, eu estava nervosa em beijar, beijar e ter alguém assistindo, principalmente quem eu não gostaria. Eu não sabia o que fazer ou pensar.

Coitado do cremoso, no final eu fiquei com dó, veio até aqui e tenho certeza que ele possa ter se arrependido um pouco, porque com certeza não foi um dos melhores beijos dele. Eu não sabia como agir antes ou depois. Então depois do segundo beijo eu me despedi e arranjei uma desculpa e fui embora.

Vou explicar uma coisa. Todas as vezes que eu conhecia alguém e tinha um interesse com alguém e saia com essa pessoa, eu me preparava toda para tudo o que poderia acontecer. E o meu primeiro beijo foi em um dia que eu estava cansada, com qualquer roupa, com o cabelo bagunçado, e sem maquiagem nem nada. Foi com um cara que se Deus quiser eu nunca mais vou ver, e que eu não tive nenhuma vontade sequer de beijar, mesmo durante o beijo.

Eu o beijei porque eu quis, eu fui porque estava na hora para mim, apesar de não saber disso, aconteceu quando eu não esperava mas foi algo libertador em minha opinião. Foi meu último laço que eu precisava cortar com meu karma. Era a [ultima linda de conexão que me prendia ao karma, e eu to feliz com isso. Apesar de o cremoso ter sido um idiota por ter vindo aqui com segundas intenções, eu também o usei. Então acho que estamos quites.

Quanto ao Sr. Karma, eu cheguei a um ponto de desconexão que não me importa se eu vou receber um parabéns ou não, apesar de eu ter estabelecido uma data de validade. A realidade é que ele já está expirado. Quando eu digo ele, eu estou falando dos meus sentimentos, porque ele continua sendo uma pessoa que eu tenho um carinho enorme e eu considero um grande amigo. O que eu tenho que fazer agora é tomar o cuidado e dar a liberdade para minha ferida se fechar por completo e criar sua cicatriz.

Mais uma vez a vida provando que eu estava errada. Aqui quem faz os planos é Deus, é a vida, é o karma, é o destino, seja lá o que você acredita.




Não é o que parece

Alguns acontecimentos na vida ultimamente me fizeram refletir muito.

Vamos voltar mais para o dia 12 de Fevereiro,  parece que foi ontem, mas na verdade já foi dois meses. Nesse dia eu estava a caminho do College carregando duas bolsas. Uma era a minha bolsa normal, a segunda continha uma camera profissional, a lente que é tão cara quanto a camera e uma camera filmadora.
Eu uma pessoa naturalmente distraída estava conversando com alguém no telefone. Assim que meu ônibus parou na estação, eu peguei a minha bolsa e sai do ônibus.
Reparou em um detalhe? Eu disse bolsa. Foi eu dar literalmente alguns passos que eu percebi que eu esqueci a bolsa com as cameras. Não foi nem dois minutos que eu voltei a olhar para onde o ônibus tinha parado e ele já não estava lá. 

Em 20 minutos que eu tinha saído do ônibus eu já tinha falado com todo mundo que eu poderia falar e ouvi da empresa responsável pelo transporte públicos de Dallas que eles haviam conversado com todos os motoristas daquela rota e nenhum motorista viu a bolsa. Resumindo, eu tive uma péssima semana, eu só sabia chorar. 

Além das cameras outras coisas pequenas aconteceram e que me deixaram totalmente desanimada. A única coisa que eu consegui me animar foi para o show da Demi Lovato que fui naquela semana. Eu não ia, mas decidir ir uma semana antes do show porque eu merecia. Nunca poderia pensar que aquele dia me ensinaria tanto.

Antes do show, Demi trouxe a CAST on Tour, um grupo criado por ela e parceiros para criar consciência sobre saúde mental. Em cada show eles trouxeram alguém com uma história bonita para compartilhar com as pessoas e contar como eles superaram suas dificuldades. Na CAST on Tour de Dallas eles trouxeram um ex lutador UFC que foi atropelado por um trem. Hoje, quase dois anos depois vive cada dia com sua maior vitória, ter sobrevivido. Ele tem uma história muito bonita e eu fiquei muito emocionada.

Após o show eu decidi ir para casa de trem/ônibus e já era tarde. Encontrei no ônibus uma moça chamada Stella. Eu a conheci mais ou menos um ano atrás. Stella passa quase todo dia, se não todo dia carregando em média seis sacolas com vários snacks para vender. Salgadinhos, doces, bolachas, refrigerante, leite, água,  entre mil e outras coisas. Cada saco pesa entre cinco a seis quilos, eu sei disso porque foi assim que conheci. Quis ajudá-la a sair do trem e carregar até o ônibus que ela pegou. Eu fiquei impressionada pelo peso e pela quantidade de sacolas. Eu não imaginava a primeiro momento que tudo aquilo era para vender e que todo dia ela carrega esse peso todo o dia todo por toda região de Dallas.

Eu vou ser sincera, eu não tenho ideia de quantas vezes eu já encontrei Stella por ai... foi pelo menos umas cinco vezes. Bem provável que muito mais vezes, e toda vez que a vejo eu converso com ela. Ela faz isso já a muito tempo e sempre simpática e com um sorriso no rosto. Stella compra os produtos em mercado em dias de promoção e leva-os para vender durante o dia. Eu perguntei Stella se vale a pena levar todas essas sacolas, mas ela não se importa.

No dia do show que encontrei Stella, já era quase meia noite, e lá estava ela, sorrindo com suas seis sacolas lotadas e pesadas. Tudo bem que meu problema das cameras naquela época eram sim importantes e que cada pessoa tem seus problemas e suas maneiras de lidarem, mas naquele dia depois de ouvir uma história de alguém que ganhou uma segunda chance e ver Stella ali depois de passar o dia trabalhando carregando peso e ganhando o seu pouco dinheiro por dia me fez refletir muito.

De novo, não gosto de comparar problemas, sempre vai ter pessoas em uma pior situação que a nossa, sempre. Eu aprendi que a melhor maneira de lidar com os sentimentos e deixar você sentir, não se culpe, não se envergonhe, não se compare com outras pessoas. Está com raiva porque foi ignorada? Está triste porque não conseguiu algo que esperava? Está chateada porque perdeu algo valioso? Fique com raiva, chore, e deixa os sentimentos fluirem. Você só saberá superar se você sentir, entender o porque e o que está sentindo e assim, se libertar dele.

Mas naquele dia 7 de Março eu olhei para os meus problemas com um olhar diferente. Eu podia estar revoltada, triste, decepcionada, mas não importa o que acontecer, eu iria superar. Eu iria conseguir acordar no dia seguinte assim como Stella, sorrir e viver minha vida. Eu iria continuar lutando e vencendo um dia por vez assim como o ex lutador de UFC.

Como diz Ana Vilela, "que a vida é trem bala parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir."


  

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Querida Ronnie

A vida é muito engraçada.

Agorinha pouco eu estava lendo uma carta que escrevi para uma pessoa muito especial para mim. Nessa carta eu falo muitas coisas que eu nunca teria coragem de falar pessoalmente. Mas isso eu já sei, eu sou assim mesmo. Eu fui ler essa carta para relembrar como eu sou louca e corajosa, mas o que mais me chamou a atenção foi a minha ingenuidade.

Eu escrevi essa carta meses antes de viajar, dois dias antes eu editei e enviei por email. Nessa carta eu desabafo um pouco e falo o quanto eu estava feliz em realizar um sonho e ao mesmo tempo estava ansiosa para o que estava por vim. Bom, acho que a Ronnie de Julho de 2016 merece uma resposta.

Querida Ronnie,

Eu vim aqui para te dizer uma coisa, hoje dia 11 de Fevereiro de 2018 você continua feliz. Eu sei aue voce viveu uma vida fora do país, mas eu te garanto que nada vai te preparar para o que você vai viver aqui. 
Se prepare porque você vai passar muito calor e muito frio aqui no Texas, não se engane pelas generalizações que as pessoas falam. Spoiler alert: você vai ver neve aqui! Você também vai passar por poucas e boas, vai passar por perrengues, vai estar assustada, vai chorar de raiva e vai querer ter todo mundo do seu lado. Você vai aprender como sua familia e amigos sao importantes para você e você vai chorar de saudades, primcipalmente quando estiver sozinha, doente ou estressada. Infelizmente não existe buteco aqui, e sua liberdade é um pouco limitada.

Não se assuste com tudo isso, porque até nos dias ruins você terá a certeza que fez a escolha certa e está onde deveria estar. Nunca surgiu essa dúvida. Você passará frio, mas você irá rir, sorrir e cantar muito altos suas músicas favoritas, afinal, ninguém anda apé aqui em Dallas. Você não foi para o College que queria, não foi para fazer o curso que queria, mas pode ficar tranquila que em algumas semanas você se ajeita e descobre que realmente Deus escreve certo por linhas tortas. Você vai descobrir que Deus realmente é todo poderoso, e é só pedir que ele te ouve. Você conhecerá novas maneiras de ver a vida, e isso só te fará uma pessoa melhor.
Você perderá muito dinheiro no começo, mas você ganhará uma casa e comida por pelo menos dois anos.  Você conhecerá pessoas maravilhosas e incrivelmente boas. Sua vida será abençoada e nenhum dinheiro paga isso.
Você não terá tantos amigos quanto no Brasil, mas os poucos serão muito bons. Você aprenderá a estudar e valorizar os estudos. Trabalhará muito e amar quase todos os monentos disso. 
Você vai amar o dia, a noite e você se apaixonará pôr alguém que você não espera, mas assim como se apaixonou desapaixonará. Você vai viver de um karma no amor e até o presente não aprendeu a lidar, mas continua otimista.
A saudade vai ser grande, mas a comunicação é sua melhor amiga. Não se preocupe com o Brasil, porque em um ano você visitará duas vezes. Não vou dizer que é dificil viver longe de todos, mas a sua felicidade vai além de qualquer coisa.

Você não sabe de nada, um ano e meio depois ainda não sabe, mas aprendeu e cresceu muito. A vida é assim, surpreende e não importa nossos planos, o que for para ser será. E hoje se você está ansiosa, confia em Deus, porque ele sabe o que é bom para você e o momento certo chegará.

Durma bem, porque seu dia está chegando.

Com amor,

Ronnie

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Aviso: Esse é um post longo

Primeiro de tudo eu vou avisar de novo, esse post vai ser longo. Segundo esse foi o texto que escrevi após ler o livro "O Propósito" que mencionei no post anterior. Tem muita coisa pessoal aqui e muita coisa que talvez nunca tenha compartilhado com ninguém.

Boa sorte
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Existe muitos pontos importantes nesse livro que abriu minha mente e que esclareceu algumas coisas. Como já disse que sou muito ignorante em relação a tudo isso. Minha experiência espiritual é muito crua e meu conhecimento muito vago.

Eu comecei cedo a questionar muitas coisas na minha vida, e por não conhecer esse pensamento/ensinamento, eu nunca tive respostas. Eu convivi com muitas maldades e muita injustiça. Durante minha época de escola eu criei barreiras de proteção para sobreviver a tudo. Eu nunca acreditei ou segui o padrão que a sociedade acredita. Eu quando era pequena sonhava em ser rica e ficava imaginando em maneiras de acabar com a pobreza no Brasil. Imaginava sendo muito rica e construindo casas enormes com muitos quartos para as famílias que viviam na rua.

Aí eu mudei para um novo colégio. Eu era uma pessoa que eu posso considerar “pura”. EU mudei para um colégio onde eu não me encaixava e as pessoas que eu conheci não viviam a mesma vida que a minha. É surreal a diferença entre meus costumes e o dia-dia dessas pessoas. Eu que sempre fui uma pessoa comunicativa, animada e cheia de amigos, desde crianças a senhoras (es) de idade, me vi em uma bolha e sozinha. Me vi no primeiro ano sendo questionada porque eu era a única na classe a não ter um estojo da Kipling, minha resposta? “Porque eu sou pobre”. O que eu poderia responder? Eu não entendia porque eu precisava de um estojo caro, mas ali foi a primeira vez que eu tive que mudar para me encaixar. Naquele ano, de natal, eu ganhei um estojo da Kipling.

Esse foi o primeiro ano de muitos que eu tive que deixar de ser quem eu era para poder ser “aceita”.  Foram anos e anos difíceis, eu tentei de tudo para me sentir parte daquele grupo e diversas vezes eu fui rejeitada. Eu lembro que no Ensino Médio eu pensava “quando eu sair daqui e começar a faculdade, eu não vou ligar para o que pensarem de mim. Eu vou ser quem eu realmente sou”.  

Durante anos eu criei tanta máscara sobre a minha personalidade, deixei de ser quem eu era ao ponto de me sufocar. Eu cheguei ao meu limite, e tive um ataque que hoje eu chamo de “dark moments”. Eu desisti, eu desisti de tudo, de estudar, de viver, de sonhar. Eu tentei pedir ajuda, mas muitas pessoas não me entendiam e para ser sincera, só hoje eu sei o que eu realmente sentia. Eu precisava de ajuda mas não encontrava ninguém que pudesse me ajudar. Eu me recorri na época a escrita e a uma ajuda psiquiátrica, onde lá eu comecei a me abrir e contar para alguém o que eu sonhava, e ela me apoiava.

Uma coisa que eu lembro quando era pequena era que tudo o que eu contava para minha psicóloga na época, era passado para os meus pais. Naquele ano onde meus sentimentos, ou a falta deles transbordou, eu fui atrás de uma psicóloga sozinha. Não permiti que ela mantivesse contato com qualquer pessoa que me conhecesse porque eu já não conseguia confiar em ninguém, e ela era única que me ouvia e não me julgava, mesmo que esse fosse o trabalho dela.

Meu primeiro passo para a liberdade do meu verdadeiro ser foi na faculdade. Eu nunca vou esquecer, minha primeira aula o professor me perguntar: “Por que você está aqui?” E eu apenas responder “Porque eu quero estudar fora do país”. E esse era a verdade. E essa apesar de ser total a resposta errada, era a única resposta certa para mim. Eu não tinha ideia de como eu iria, ou quando, eu só sabia que eu iria.

Eu sempre aprendi que se um dia você levar um tapa na cara, você tem que devolver. Se você for ofendido, você tem que lutar de volta. Eu nunca acreditei nisso, porque eu tenho que ser igual a essa pessoa? Por que eu tenho que ter a mesma atitude que eu acho que foi desnecessária? Por que eu tenho que ser assim? Por que eu tenho que fazer faculdade e trabalhar? Por que eu tenho que escolher esse curso que me dará mais frutos e não felicidade? Por que eu não posso escolher ser o que eu gosto de fazer? Por que tem toda essa pressão sobre minhas escolhas? Por que eu? Por que?

Eu nunca entendi porque a sociedade tem que apontar o que é certo ou errado para mim. Eu nunca entendi porque eu não posso comer mais um pedaço de bolo que eu adorei? Por que eu tenho que evitar a comer carboidrato e comer salada e frango por 15 dias para emagrecer? Por que eu tenho que emagrecer para virar atraente para alguém? Eu tenho que viver de dietas loucas e deixar de comer o que eu gosto caso contrário vou morrer sozinha. E se eu não for magra não serei atraente, não conseguirei um emprego decente, não terei filhos e não terei família. Qual o sentido de tudo isso? Eu sei o que é certo e errado, eu cuido da minha saúde, mas por favor me deixe comer o que eu quero e me faz feliz.

Quando eu fiz 18 anos eu fiz uma festa. Uma festa que significou liberdade para mim. Eu finalmente pude sentir que eu poderia virar para as pessoas e falar: “Não farei isso porque eu não quero” “Não vou comer isso porque eu não gosto, não farei isso porque eu não sou obrigada”. Foi com 18 anos que lembrei de um filme que um professor passou para a sala que falava sobre fazer uma boa ação para alguém e pedir que ela repassasse essa ação. Com 18 anos eu lembrei que esse mesmo professor me disse uma das frases mais conhecidas e que até então eu nunca tinha parado para pensar ou usá-la. “Gentileza gera gentileza”. Foi com 18 anos que percebi que eu não iria poder ser memorável para alguém se eu não fizer algo digno para isso.

Eu mudei minha visão da vida, eu decidi que eu iria acreditar na honestidade e bondade. Eu não iria mais lutar de volta e evitar julgar as pessoas. Eu passei anos sendo a pessoa julgada e “maltratada”, e nunca iria querer que alguém se sentisse como eu me senti. No meu primeiro emprego foi que senti a primeira vez o que é o mundo real. Uma pessoa que eu considerava uma amiga, deu um golpe em minhas costas, literalmente “puxaram o meu tapete” e eu cai. 

O primeiro golpe a gente nunca esquece. Eu fiquei triste porque eu estava tentando confiar de novo nas pessoas, eu estava tentando acreditar que existia uma justificativa para a maldade dos outros. Foi nesse dia que eu descobri que existem pessoas que vão a igreja por apenas imagem. Eu descobri que eu não preciso ser e agir da mesma forma que as pessoas que não conhecem a bondade. Eu apenas preciso me afastar e torcer que essa pessoa encontre a paz na vida dela.

Eu sempre soube que eu não ficaria no Brasil, eu sempre disse que não me sentia em casa, e que só conheceria a felicidade quando vivesse meu maior sonho. Eu tenho isso escrito em algum lugar nesse blog. Infelizmente meus pais não entendiam isso. Eu precisei conquistar tudo sozinha, ir contra os conselhos e sugestões deles e alcançar a felicidade e o sucesso que sempre sonhei para eles acreditarem em mim.

Até então eu não fazia ideia de que tudo o que eu senti, e cresci espiritualmente existia um porque. Tudo para mim até a pouco tempo era apenas memórias, muitos delas ruins. Hoje eu sei que tudo o que aconteceu foi meu crescimento e descobrimento. Hoje eu sei que tudo foi um aprendizado e que apesar de dolorido, hoje refletem na minha felicidade. 

Porque tudo que eu passei me trouxe até aqui. Tudo o que aconteceu tinha que ter acontecido porque faz parte da vida. Eu hoje, fico feliz em saber que eu não estava errada em pensar diferente, não estava errada em viver a vida da maneira que meu coração quis.
Hoje eu sinto uma paz interna que para mim é difícil de acreditar. É dolorido lembrar e reviver um pouco do que eu passei, mas faz bem. Eu acredito que chorar nos faz limpar a alma, e esvaziar os maus sentimentos.


Eu sei que ainda tenho muito a aprender. Eu não me sinto completa e 100% feliz com tudo, existe algumas partes da minha vida que tenho que conquistar, aprender e viver.  Eu sei que isso é só o começo de uma jornada, eu só estou feliz em poder finalmente entender e esclarecer perguntas da minha vida.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O propósito

Faz pouco tempo que eu resolvi conhecer e entender mais sobre Budismo.

Eu sempre soube que eu tinha uma visão do mundo diferente da maioria das pessoas, inclusive da minha família. Não é de hoje que eu questiono todos os acontecimentos da vida e ficava de certa forma irritada por não ter uma resposta. Até um dia minha amiga me indicar um livro.

O Propósito de Sri Prem Baba, mudou minha vida. Confesso que o pensamento budista não é para qualquer um. Ainda existem explicações ou ensinamentos que para mim é difícil entender, mas de resto é incrível com um livro é capaz de trazer tantos sentimentos para mim. Eu me senti "em casa" lendo pois aquelas questões que eu tinha finalmente foram explicadas ou respondidas. Dúvidas que eu nem sabia que tinha foram respondidas. Pontos que nunca havia pensado me fizeram parar para refletir.

Parece um pouco confuso, mas é isso mesmo. A nossa vida é confusa e temos muitas questões a ser respondidas, e infelizmente nem todas as perguntas tem uma resposta. Ou pelo menos uma resposta que seja fácil de ser aceita.

Foi com esse livro que eu cheguei a uma conclusão, eu estava mentindo para mim mesma. Eu nāo estava/estou me sentindo completa. Para minha vida estiver completa eu preciso de amor. Quando eu falo de amor, não é de família ou amigos, mas sim daquele que eu evito falar. Daquele que evito pensar ou sentir. É confuso para mim, estar aqui do outro lado do oceano pensar em uma pessoa que para mim é a pessoa. E ao mesmo tempo saber que ela nāo é, e nem será aquela pessoa. É difícil eu querer aceitar que ela nunca será quem eu gostaria de ser, é difícil eu acreditar que um dia eu terei uma história romântica para contar para os outros. Eu sonho em ter filhos mas eu consigo apenas me ver adotando, porque eu não consigo me ver casando, e vivendo com alguém.

Eu perdi a esperança no amor. Não estou me fazendo de coitada ou algo assim, eu simplesmente nunca senti esse sentimento de certeza. Eu nunca amei e fui amada ao mesmo tempo por uma pessoa. Nunca vivi um amor de verdade. E para ser sincera não consigo me ver assim.

E isso me deixa me sentindo um pouco vazia. Eu gostaria de poder acreditar e viver tudo isso, mas de alguma forma tem um não na minha vida amorosa que não me permite viver isso.

Então é isso, eu finalmente confesso que: mudar para outro país não faz você simplesmente superar alguém, não faz você entender o amor ou acreditar nele.

Se esse texto fez não faz sentido para você, então você está tão confuso como eu.

Texas, onde tudo é grande.

Faz exatamente um ano que eu cheguei no Texas.

A vida tem dessas, tudo na minha vida deu errado, nada fazia sentido, e de repente tudo mudou. Eu vim para um estado onde eu sempre brincava que eu me mudaria, mas no fundo eu sabia que eu nunca iria porque Texas é um dos lugares mais quentes dos Estados Unidos no verão.
E olha como o mundo da voltas não é mesmo? Aqui eu vivi de longe o melhor ano da minha vida, onde parece que finalmente meus planetas e estrelas começaram a se alinhar e tudo deu certo, tudo fez sentido e tudo se conectou. Aqui eu cheguei ao ápice da alegria/felicidade, alcancei e fiz coisas que eu nunca imaginaria fazer. Conheci pessoas que eu nunca me imaginaria conversando e experimentei uma nova vida, nasci de novo.

Mudar para um novo país é nascer de novo, conhecer novas pessoas, aprender a falar uma nova língua, andar sozinho e ser independente. Aprender novos costumer, experimentas novas comidas, é descobrir que o mundo é muito maior que a gente imagina, é aprender todo dia uma coisa nova. É enfrentar novos desafios e criar novas barreiras, é crescer sem aumentar um centímetro (de altura pelo menos), é rir e chorar de saudade, é aprender a agradecer, confiar, sentir e sonhar. 

Não é fácil morar longe da sua família, mas de alguma forma parece certo, parece que eu essa vida é a que me pertence, criar novas raizes e novas famílias. É difícil explicar como eu me sinto e como eu me senti completa nesses últimos doze meses. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

I wish In have known.
 I wish I have control.
It's bigger than me.
I try to lie to myself but
Somehow it all comes back to me.
Couldn't life just easy on me?
Why would I be stuck to you?
Freedom freedom where are you?
I don't want to loose
I guess I already lost my heart to you